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Ministério Público denuncia corrupção no governo de Beto Richa


Ex-governador não foi atingido, mas MPF ainda quer apurar a participação de outros envolvidos

O MPF (Ministério Público Federal) do Paraná denunciou nesta quarta-feira (5) onze pessoas pelo suposto envolvimento na prática de corrupção e lavagem de dinheiro durante a administração do ex-governador do Paraná e candidato ao Senado Beto Richa(PSDB). O tucano não foi atingido pela acusação.


Segundo o MPF, a Odebrecht pagou propina para obter favores ilegais relacionados à PPP (Parceria Público Privada) para exploração e duplicação da PR-323, em 2014. Entre os denunciados, está o ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Roldo.


Perícia da Polícia Federal nos sistemas de contabilidade paralela da empreiteira identificou cinco pagamentos de propina no total de R$ 3,5 milhões, repassados entre os meses de setembro e outubro de 2014. Os endereços de entrega, segundo a perícia, ficavam em São Paulo, em um condomínio ligado à sogra de Jorge Atherino, apontado pelo MPF como operador de Richa.


Ainda que o ex-governador não tenha sido atingido pela denúncia desta quarta-feira, o MPF pediu a continuidade das investigações para apurar a participação de outros envolvidos.


De acordo com a denúncia, executivos da Odebrecht procuraram Roldo para pedir apoio no afastamento de concorrentes interessados na licitação da PR-323. O ex-chefe de gabinete de Richa, então, teria informado que ajudaria a empreiteira em troca de vantagens indevidas para a campanha à reeleição do ex-governador.


O consórcio Rota das Fronteiras, composto por quatro empresas, entre elas a Odebrecht, foi o único a fazer proposta na licitação. O contrato foi assinado em setembro de 2014.


O Ministério Público ressalta que, embora os valores tenham sido solicitados como ajuda para a campanha, o dinheiro foi utilizado como contrapartida da venda da função pública e para o enriquecimento pessoal dos agentes públicos.


JUSTIÇA ELEITORAL


A investigação dos fatos tratados na denúncia tramitava no STJ (Superior Tribunal de Justiça) desde 2016, quando Beto Richa possuía foro privilegiado. Com a renúncia do cargo de governador para concorrer ao Senado, os autos foram remetidos para o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.


A defesa do ex-governador recorreu da decisão, alegando que o caso deveria ser tratado pela Justiça Eleitoral, pedido aceito pelo STJ. Em seguida, a Justiça Eleitoral devolveu a investigação para Moro.


A defesa, então, recorreu ao TRE. O juiz federal Luiz Fernando Penteado concedeu liminar para manter a investigação na seara eleitoral. As apurações prosseguiram e foram arquivadas pela Justiça Eleitoral, que devolveu os autos à 13ª Vara Federal de Curitiba.


OUTRO LADO


Em nota, a assessoria de imprensa de Richa diz que as alegações do MPF não têm qualquer sustentação e que a obra de duplicação da PR-323 nunca aconteceu.


"Não houve também qualquer direcionamento em licitação. Tanto é assim que a Corte Especial do STJ decidiu de forma unânime que tal investigação deva ocorrer na Justiça Eleitoral", afirma o texto.

Procurada, a defesa de Jorge Atherino disse que ainda está analisando a denúncia e que, no momento, só pode registrar que seu cliente está à disposição da Justiça.


A reportagem tenta contato com os demais acusados.


Postado pela Folha de São Paulo em 05/09/2018 às 19:24

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