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Esquema teria desviado R$ 2 milhões do instituto de Previdência de Orobó


Foto: Divulgação/PCPE

Seis pessoas foram presas, incluindo o presidente do Instituto da Previdência de Orobó, no Agreste de Pernambuco, Gustavo José, durante o cumprimento das ordens judiciais da ação em combate à corrupção contra o sistema previdenciário. Os mandados de prisão fazem parte da Operação Anticorrupção, deflagrada na manhã desta quarta-feira (7). De acordo com o promotor Rodrigo Altobello, a organização criminosa age há, aproximadamente, três anos. Já foram desviados cerca de R$ 2,6 milhões.


Segundo as informações da Polícia Civil, os integrantes da organização criminosa são jovens que não possuem idade para serem aposentados e fazem parte do mesmo círculo social. Eles foram incluídos no benefício pelo próprio presidente Gustavo José da Silva, de 25 anos, e recebiam mensalmente o valor de R$ 50 mil, enquanto a maioria dos aposentados recebe apenas um salário mínimo.


“Esse desvio causou um prejuízo para quem quer se aposentar e não consegue”, afirmou o promotor. “Toda semana, praticamente, nós somos procurados no Ministério Público por cidadãos que fazem o pedido de aposentadoria e não recebem resposta, justamente em razão desse desvio”, contou.


Além do presidente, os presos foram identificados como Jailson Flor da Silva, 22, Jessica Celestino dos Santos, 25, José Arthur Barbosa dos Santos, 26, Miriam Gisele de Abreu, 24, esposa do presidente e Vanielly Priscila Rodrigues da Silva. 24. O sigilo bancário dos presos já foi quebrado e o dinheiro está sendo rastreado.


Presidente do instituto pediu exoneração do cargo

Ainda segundo Rodrigo Altobello, Gustavo José pediu a exoneração do cargo no Instituto de Previdência após receber um oficio do Ministério Público e os outros integrantes começaram a se desfazer de documentos que comprovam a lavagem de dinheiro. A polícia ainda não descartou a hipótese de outras pessoas estarem envolvidas no sistema de lavagem e desvio de dinheiro, além de peculato.


MPPE


Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a investigação teve início em agosto deste ano, com a abertura de um inquérito civil, pelo MPPE, para analisar se havia irregularidades no Instituto de Previdência.


De acordo com o promotor de Justiça de Orobó, Rodrigo Altobello Angelo Abatayguara, logo após receber o ofício do Ministério Público, o presidente do IPREO, Gustavo José da Silva, pediu exoneração do cargo.


“Com base em documentos que foram trazidos do próprio município de Orobó, a Promotoria de Justiça levantou que, pelo menos seis pessoas, entre elas o presidente, estavam recebendo valores muito acima dos demais beneficiários. Fizemos, então, pesquisas em redes sociais e vimos que esses beneficiários eram pessoas novas e, portanto, não faziam jus a qualquer tipo de aposentadoria. Além disso, todos eles se conheciam entre si, tinham relacionamentos próximos e estavam sempre em conjunto nas fotos”, explicou Rodrigo Altobello.


Com base nessas informações, foi pedida a prisão temporária dos seis suspeitos e solicitada busca e apreensão na casa de todos eles, além da quebra de sigilo fiscal, bancário e telemático.


Segundo o promotor, as medidas foram necessárias para assegurar a investigação, visto que chegou ao conhecimento da Promotoria que, após ter pedido exoneração, o presidente teria começado a se desfazer de provas, como, por exemplo, apagando algumas das fotos de suas redes sociais.


Deferida as medidas pelo juiz da Vara Única da Comarca de Orobó, Daniel Silva Paiva, foi executada na madrugada desta quarta-feira (7) a operação que conseguiu prender as seis pessoas e resgatar diversos documentos.


Os seis suspeitos estão sendo investigados pelos crimes de peculato, organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.


Segundo o promotor Rodrigo Altobello, a estimativa é que tenham desfalcado o IPREO em cerca de R$ 2,5 milhões, desde o ano de 2015.


Postado pelo JC Online em 07/11/2018 às 13:07

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